terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Prefeitura de Coelho Neto envolvida em investigação por Agiotagem



Ontem no final da tarde começou a rodar nos grupos de Whatsapp, e no privado de algumas pessoas a imagem acima. Nela vemos listados municípios que supostamente seriam alvo de uma operação por parte do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) nos próximos dias. Mas a verdade é que essa lista veio a púbico no dia 04 de abril de 2015, e desde então nada aconteceu em Coelho Neto, apesar de a investigação ainda estar em curso.   

Embora a lista não identifique os nomes dos 41 prefeitos e ex-prefeitos envolvidos no esquema que escamoteava verbas da educação e da saúde, as investigações da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) se concentram unicamente no período de 2009 a 2012, ano em que Soliney já comandava a cidade.

Desde o início da Operação Imperador, deflagrada no final de março deste ano e que incluiu o nome da prefeitura da máfia da agiotagem, o prefeito tenta se valer de uma certidão emitida em maio de 2013, que teria sido dada pela própria Delegacia Geral de Polícia Civil, mas em atendimento a uma solicitação protocolar, apenas para não atrapalhar as investigações, que correm em sigilo.
Além de prefeitos e ex-prefeitos, as investigações da Seic também apuram o envolvimento de empresários, nomeados pelo governador Flávio Dino (PCdoB), deputados estaduais e vereadores de São Luís na máfia da agiotagem.

Rosangela Curado ao lado de Soliney Silva.
Durante esse período que vai de 2009 a 2012, foi descoberto em Coelho Neto, na Secretaria de Saúde, que na época era comandada pela Odontóloga Rosangela Curado (PDT), que estava havendo em escamoteamento de dinheiro público destinado a saúde.

Durante gestão dela na saúde coelhonetense, foram pagos 193.291 mil procedimentos médicos com recursos do SUS destinados à Prefeitura de Coelho Neto. O que mais chama a atenção é que na época segundo dados do IBGE a cidade tinha apenas 46.792 habitantes que, se somados aos moradores das cidades vizinhas de Duque Bacelar, Buriti e Afonso Cunha, que poderiam ser assistidos com os recursos enviados para Coelho Neto, totalizariam 88 mil pessoas, menos da metade das mais de 193 mil que teriam sido tratadas de glaucoma, com o detalhe de que apenas as pessoas da terceira idade, cerca de 12% dos 88 mil potenciais clientes do SUS, poderiam ter a doença.

A fraude, de obvia, faz pensar que Rosângela Curado nunca imaginou que um dia seria auditada pelo SUS. Tem médico que colocou no bolso R$ 655.853,69 num mês, como se nos 19 dias úteis de abril de 2011 um único profissional teria atendido 13.490 pacientes, ou feito procedimentos em 26.980 olhos, 25 segundos para cada olho sem intervalo para a saída e entrada de pacientes, isso considerando que o médico ficava até 10 horas em pé num centro cirúrgico ou no ambulatório.

O que mais faz pesar a mão dos auditores contra Rosângela Curado é o fato de apenas um dos quatro médicos pagos por ela, para “curar” 193 mil pacientes de glaucoma, ter especialidade em oftalmologia. Os outros três são clínicos gerais, o que, para o SUS, se constituiu em ato de extremo risco para os doentes tê-los submetidos a essa situação, se, de fato, essa multidão toda tivesse sido “tratada”. E mais: Curado declarou que esses procedimentos eram feitos em ambientes improvisados, em casas arranjadas pelas prefeituras, em regime de mutirão.




A auditoria também condena o fato dela ter alegado, em defesa, que teria atendido gente em outras regiões, o que não se justifica, e determina que seria técnica e humanamente impossível atender tanta gente no espaço de tempo declarado nas faturas pagas. Um único médico, sem especialidade para tratar doenças dos olhos, faturou R$ 3.382.792,89 em cima de 74.424 procedimentos, ou seja, 148.848 olhos tratados.

“Especialistas” - Os mesmos médicos e diretores da clínica contratada por Rosângela Curado suspeitos de malversação de mais de R$ 8,2 milhões das contas da Prefeitura de Coelho Neto respondem por crimes idênticos cometidos com uma clínica de razão social diferente no município piauiense de Água Branca. Lá o rombo foi de R$ 2,5 milhões e incluiu ousadias como o mesmo profissional atendendo em 15 cidades no mesmo dia, pessoas mortas há mais de dois anos sendo operadas até duas vezes e declarações falsas de porte de especialidade em oftalmologia.

No caso do Maranhão, Rosângela Curado foi chamada pelo SUS para devolver os R$ 8.278.517,20. 

Contribuição portal brasil247 e portal autal7 (atual7).

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