segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Senadores buscam blindagem contra Lava Jato

Na iminência de serem alvos de inquéritos judiciais decorrentes da delação premiada da Odebrecht, senadores preparam uma tentativa de blindagem também em outro front, no conselho de ética do Senado.

Senador João Alberto poderá ser reconduzido à presidência do Conselho de Ética
"Tribunal" legislativo do senado, o conselho é o órgão responsável por recomendar ao plenário da Casa a cassação ou não do mandato de um senador pela chamada quebra do decoro parlamentar.

É nesse "tribunal" que partidos envolvidos na Lava Jato pretendem concentrar esforços para restringir ao máximo o estrago que se anuncia com a delação da Odebrecht –fala-se em mais de uma centena de políticos citados– e de outras empreiteiras, na sequência.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), bem como o ex-presidente do Senado Renan Calheiros, são citados na delação da Odebrecht. Os dois políticos negam irregularidade.

O conselho de ética do Senado terá sua nova composição definida após o Carnaval. Ele é composto por 15 parlamentares e deve ser comandado pela sexta vez por João Alberto Souza (PMDB-MA), ligado ao ex-presidente e ex-senador José Sarney (PMDB-AP).

Conhecido por ser favorável ao engavetamento de representações, Souza diz que já foi procurado por alguns partidos, que ele se recusa a informar quais são, e que há uma "tendência" de que ele continue na presidência do colegiado.

Para o senador, as delações no âmbito da Lava Jato não são suficientes para que se abra processo contra os colegas do Legislativo. "Precisa haver alguma prova, alguns indícios", afirma.

"Até agora não apareceu nada. Na delação, hoje, está sendo pronunciado todo mundo no Senado, na Câmara. Quando chegar no conselho, a gente faz um exame acurado da coisa para ver o que tem."

Contribuição: Folha de São Paulo. 


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