sábado, 20 de janeiro de 2018

Grupo de Sarney recorreu a indicado na Caixa por favor eleitoral

Por eleições, grupo Sarney tentou interferir na Caixa Econômica 

Uma investigação independente contratada pela Caixa Econômica Federal mostra que o grupo de José Sarney (MDB) recorreu a um indicado dele no banco para um favor eleitoral em 2010. A investigação revelou um e-mail do ex-prefeito de Caxias (MA), Paulo Marinho, enviado para Fábio Lenza, um dos vice-presidentes da Caixas, pedindo a prorrogação de um contrato com a Caixa para construção de unidades do Minha Casa Minha Vida na cidade.

No e-mail, Paulo Marinho explica que Caxias receberia três mil unidades do programa Minha Casa Minha Vida, dentre as quais mil da cota do governo do Maranhão e duas mil entregues a Humberto Coutinho, prefeito da cidade na época da mensagem, homem que seria ligado a Flávio Dino (PC do B), opositor do grupo de Sarney.

Contudo o prazo para as obras já havia vencido, por isso, Paulo Marinho recorreu a influência de alguém de dentro do banco, que pudesse contornar a burocracia da instituição. 

"Seria a maior obra de Roseana (Sarney) na cidade e já tem mais de dez mil inscrições feitas. Impedir que essas casas e apartamentos sejam construídos fere de morte nosso grupo", escreveu o político.

Naquele ano Roseana Sarney concorreu a reeleição ao Governo do Estado.  

Diante do cenário, o grupo entrou com uma ação na Justiça Federal para conseguir a permissão de construção. O contrato, naquele momento, porém, já estava vencido e o jurídico da Caixa peticionou no processo dizendo que não havia mais interesse na obra, diante do fato de o prazo ter expirado.

Paulo Marinho termina a mensagem, enviada no dia 24 de março, com o pedido: "Sua ajuda poderia ser no sentido de sustentar (...) a prorrogação do contrato, o que permite que a CEF possa se manifestar no processo de forma que a Justiça Federal continue cuidando do processo pois sabemos que o juiz federal está consciente de tudo e vai decidir logo".

Com estas palavras, Paulo Marinho dá a entender que a interferência não seria apenas no Banco, mas também no âmbito do Judiciário, onde a oligarquia estava contando uma decisão rápida de um magistrado, dentro do que eles esperavam.

Da Folha de São Paulo