quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Incoerência: Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, recebeu dinheiro de desmatadores



Quase metade dos deputados federais eleitos para a atual legislatura recebeu financiamento de doadores que estão na lista de autuados do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Dos 513 eleitos, 249 receberam um total de R$ 58,9 milhões em doações oficiais de empresas e pessoas que desmataram e queimaram florestas, entre outros crimes e infrações ambientais. O valor inclui contribuições diretas e indiretas –quando o dinheiro passa pelo comitê ou diretório do partido.

Depois de eleitos, muitos deputados federais se afastaram da Câmara para assumir cargos no Poder Executivo federal ou nos seus estados de origem. Entre os financiados por infratores, estão seis atuais ministros do governo do presidente Michel Temer.

O grupo inclui até o chefe da pasta do Meio Ambiente, José Sarney Filho (PV-MA), o que menos recebeu entre os ministros, com R$ 35 mil. Por meio de sua assessoria, o ministro afirmou que “as doações foram recebidas via Partido Verde. Se soubesse das irregularidades das empresas, não teria aceitado”.

Receber essas doações não é crime nem é vedado pela Justiça Eleitoral. Mas a grande proporção de financiadores-infratores pode chamar a atenção, em especial quando se trata de uma legislatura que aprovou projetos criticados por seus impactos ao meio ambiente. Caso da “MP da Grilagem”, como ficou conhecida a medida provisória que facilita a regularização de áreas públicas invadidas. Assim como das votações que reduziram a proteção da Floresta Nacional do Jamanxim (PA) e de dois parques nacionais.

Lembrando também, que na gestão de Sarney Filho o desmatamento da Amazônia apenas aumentou, chegou a um nível tão crítico que a Noruega cortou em 50% o auxílio financeiro que enviava ao Brasil para manutenção da floresta. 

Do John Cutrim 


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